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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

O Castelo Perigoso


Heraldic Chivalry, Alfons Mucha

Desejoso de combater com os melhores cavaleiros de Artur, Ironside, o Cavaleiro Vermelho, aprisionou a bela Lady Lyone no Castelo Perigoso. Estava convicto de que este acto iria chamar a atenção dos cavaleiros.

Durante os dois anos seguintes, muitos foram os cavaleiros que tentaram em vão libertar a formosa donzela.
Ironside aguardava ainda a vinda dos melhores dos melhores: Lancelot, Gawain e Tristão. Linet, a irmã de Lyone, dirigiu-se a Camelot e pediu ajuda a Artur. Este encarregou Gareth da empresa. Linet, assim como a maioria da corte, desconhecia a verdadeira identidade do jovem (era o irmão mais novo de Gawain) e julgou-o unicamente pela aparência - a de um serviçal das cozinhas.

Apesar dos insultos constantes da donzela, Gareth procedeu sempre de modo cortês, determinado a provar o seu valor. Ao atravessar a Passagem Perigosa, derrotou o Cavaleiro Negro, o Cavaleiro Azul e o Cavaleiro Verde, mas Linet permaneceu desdenhosa.

Quando se aproximarem do Castelo Perigoso, depararam-se com uma visão aterradora. Dependurados nas árvores estavam os corpos de quarenta cavaleiros, os bravos e nobres guerreiros que tinham vindo em busca de glória. Gareth desceu do seu cavalo e soprou no corno de marfim, assinalando a sua presença ao Cavaleiro Vermelho e desafiando-o.

O combate iniciou-se pela manhã e ao entardecer, ambos os cavaleiros estavam tão enfraquecidos que mal se sustinham. Gareth conseguia ver Lyone a chorar à janela. Sentindo o olhar do jovem cavaleiro, a moça fez-lhe uma vénia. Imediatamente o coração do mancebo saltou e, com renovado vigor, derrotou Ironside.

O Cavaleiro Vermelho implorou piedade e confessou que os seus terríveis actos tinham sido cometidos por amor de uma mulher. A dama em questão julgava o seu irmão morto às mãos de Lancelot ou de Gawain, e Ironside entendeu que, para ganhar a sua afeição, teria de empreender vingança contra os cavaleiros da Távola Redonda.

Gareth replicou que, se Lady Lyone o consentisse, pouparia a sua vida e mandá-lo-ia para Camelot, ficando à mercê de Lancelot e Gawain. E assim foi que Ironside foi poupado e, depois de expiar os seus pecados, jurou lealdade a Artur.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Morrer de Amor

Aubrey Beardsley, Lancelot and the Witch Hellawes

Hellawes era uma feiticeira que amava à distância o nobre guerreiro Sir Lancelot, por quem se apaixonara profundamente há sete anos. Acabou por conseguir atraí-lo à sua Capela dos Perigos onde tentou por todos os meios que conhecia inspirar o seu amor.

Mas não lhe servia de nada porque o cavaleiro constante e leal amava apenas uma mulher, a rainha de Artur, a bela Guinevere, e viera à capela com uma única missão em mente, a de buscar talismãs medicinais para o cavaleiro ferido Sir Meliot.

Quando Lancelot partiu com os talismãs, não estava minimamente afectado pelo amor de Hellawes nem pela sua magia. A feiticeira compreendeu enfim que ele jamais a havia de amar e morreu de desgosto amoroso.


"Triste Vida Vivyre" - Sete Lágrimas (Diáspora)

Lancelot no Exílio

Frank Godwin

Lancelot era o mais valente cavaleiro da Távola Redonda e despertou muitas paixões. O rei Pelles tinha uma filha muito bela, Elaine de Corbenic, que se apaixonou pelo cavaleiro. Mas ao contrário de outras mulheres da corte, Elaine não se deteve perante o amor de Lancelot pela rainha Guinevere. Com a ajuda da sua aia Brisen, recorreu às artes mágicas para seduzir o seu amado.

Brisen era uma feiticeira que previu que, da união de Lancelot e Elaine, nasceria Galahad, o cavaleiro puro. E assim conduziu Lancelot aos aposentos de Elaine, fazendo-o crer que estava com Guinevere. Infelizmente, foram surpreendidos por uma enfurecida Guinevere que, num acesso de raiva e ciúme, os baniu da corte. Apercebendo-se então do engano e desesperado com as palavras da rainha, Lancelot, ensandecido,fugiu pela janela, buscando protecção na floresta.

Durante dois anos, permaneceu nos bosques, vivendo com os animais e alimentando-se de frutos silvestres. Os cavaleiros da Távola Redonda procuraram-no em vão. Até que um dia, Elaine encontrou-o adormecido junto a um poço. Imediatamente alertou o seu pai - o guardião do Graal. E foi graças ao Santo Cálice que Lancelot recuperou a sanidade.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A Visão de Percival

W.J. Neatby, La Belle Dame sans Merci

Le Morte d' Arthur, de Sir Thomas Malory, é a referência para esta história. Convém lembrar que a obra de Malory ajusta antigas tradições pagãs aos moldes cristãos...

Num dado momento da sua demanda pelo Santo Graal, Percival  encontrava-se isolado numa ilha selvagem. Um dia, assistiu a um combate entre um leão e uma serpente. Matou a serpente pois considerava ser o leão o animal mais justo e nobre, e ganhou assim a confiança deste. De noite, sonhou com duas mulheres: uma, jovem e bela, montada num leão; outra, velha e decrépita, montada numa serpente. A donzela preveniu Percival que, na manhã seguinte, lutaria com o mais forte dos adversários, e que, se falhasse, perderia a sua reputação para sempre. Em seguida, desapareceu.

Então falou a Anciã. Disse que a serpente que ele tinha matado, lhe pertencia e que, para a compensar, ele deveria passar a servi-la. Percival recusou mas ela assegurou-lhe que o encontraria e que, no fim, seria seu.

No dia seguinte, um espectro de um homem muito velho apareceu a Percival e exortou-o a permanecer puro de coração e fiel ao ideal de cavalaria. Explicou-lhe que o leão e a jovem representavam a santa igreja, a nova fé, a esperança e o baptismo. Adiantou-lhe ainda que aquela que montava a serpente, era a velha lei - uma poderosa inimiga. E desapareceu.

A meio do dia, aportou na ilha um barco trazendo uma mulher muito bela. A donzela contou a Percival que tinha sido deserdada e banida da corte. O jovem cavaleiro logo ali prometeu ajudá-la e ela, em troca, deu-lhe comida e bebida.

Quanto mais tempo Percival estava na sua companhia, mais cativado ficava. Por fim, louco de desejo, implorou à donzela que fosse sua. Esta, de início, recusou, mas depois propôs-lhe o seguinte: que ele jurasse servi-la somente a ela e fazer tudo o que ela ordenasse e ela entregar-se-ia.

Enquanto o ardente Percival aguardava que a donzela se despisse, avistou o crucifixo incrustado na bainha da sua espada. Lembrando-se da sua demanda e das palavras do velho, persignou-se. Com isto, a bela sedutora esfumou-se nos ares, amaldiçoando-o.

Percival, julgando-se indigno da demanda por ter quase sucumbido à tentação, fere-se  a si mesmo na coxa, com um golpe de espada, castigando assim a carne que o dominava. Contudo, o velho regressou com um barco e, enquanto eram levados dali pelo vento e pelas ondas, contou-lhe que a velha e a rapariga eram ambas o diabo.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Descobrir o Tarot com as Lendas Arturianas: O Louco

The Arthurian Tarot - Anna-Marie Ferguson
(clique na imagem para ampliar)

Perceval contempla o seu futuro - Camelot. As nuvens abrem-se e o sol brilha, revelando o castelo em todo o seu esplendor. Para Perceval, isto representa a oportunidade para realizar os seus sonhos e ambições. O brasão dos Cavaleiros da Távola Redonda pende sobre a entrada no castelo, representando um objectivo realista, que se pode alcançar mediante a disciplina.

A cena transmite um retorno à sensação de maravilhamento, de optimismo e fé, próprias da infância. O cão expressa esta exuberância e natureza brincalhona e reflecte as expectativas positivas de Perceval em relação ao futuro. O verde das árvores simboliza a fertilidade e potencialidades; a borboleta azul, a beleza e a liberdade; o rio límpido, a pureza e a boa vontade.

Perceval fixa a sua atenção no brasão mas não olha para o caminho que tem de percorrer até lá chegar. Parece inconsciente do facto de estar sobre uma saliência rochosa. Também ignora os escudeiros que cuidam dos cavalos. É preciso prestar atenção aos detalhes, aos sacrifícios e aos obstáculos que se nos deparam pelo caminho para atingirmos a nossa meta. Perceval não se apercebe que para se tornar um cavaleiro, terá primeiro de ser um escudeiro. A aventura começa...

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Sir Gareth

Gareth era o irmão mais novo de Gawain, filho de Morgause e de Lot de Orkney. Quando chegou a Camelot, decidiu permanecer incógnito e implorou que lhe fosse dada guarida por um ano. Sir Kay tomou-o a seu cargo e pô-lo a servir nas cozinhas.

Faziam troça dele e chamavam-no "Beaumains", por causa das suas mãos invulgarmente grandes e brancas. Lancelot e Gawain tornaram-se seus amigos, mas este último foi incapaz de reconhecer o seu próprio irmão.

Passado um ano, apareceu na corte uma donzela, de seu nome Lynette, a pedir que algum cavaleiro combatesse, pela sua irmã, contra Sir Ironside, o Cavaleiro Vermelho, que cercava o seu castelo.




















Beaumains solicita ao rei que o deixe partir nesta aventura e que o Lancelot o siga e o torne cavaleiro caso ele suceda na demanda.

Artur concorda e Gareth parte com Lynette. A donzela troça e desdenha constantemente do moço de cozinha que Artur lhe enviou para a ajudar.

Depois de muitas aventuras, Gareth prova a sua valentia e Lancelot declara-o cavaleiro, a fim de poder defrontar o Cavaleiro Vermelho, de igual para igual.

Apesar disso, Lynette continua a desdenhá-lo mas Gareth nunca esmorece. Consegue derrotar Ironside e ganha a afeição da irmã de Lynette, Lyonors.

Mas a história não acaba aqui. Lyonors promove um torneio no qual Gareth, usando um anel mágico que lhe permite mudar a cor da sua armadura, combate, mais uma vez incógnito, vários cavaleiros da Távola Redonda. Gawain determina-se a descobrir a identidade do jovem cavaleiro e os dois irmãos combatem.

Providencialmente, Lynette chega e detém-nos revelando-os um ao outro. A donzela sempre soubera quem era Beaumains e o seu desprezo não era mais do que uma prova ao valor do jovem Gareth. Com a sua magia cura os ferimentos dos dois irmãos e todos regressam a Camelot.

Gareth é finalmente reconhecido como filho de Morgause e Lot de Orkney e casa com Lyonors.


terça-feira, 7 de setembro de 2010

Iniciadores e Iniciados

Existe um claro padrão nas histórias dos cavaleiros de Camelot. A história de Sir Gareth, de Thomas Malory, em Le Morte d'Arthur, é um desses exemplos sobre "The Fair Unknown." Geralmente, aparece na corte um jovem de identidade desconhecida (mas que é, na verdade, filho de um herói) que aspira a ser cavaleiro. Depois de várias aventuras e, por vezes, de lutar (sem se saber) com o próprio irmão, é finalmente reconhecido e honrado por todos.

Na tradição arturiana existem muitas histórias em que o herói, disfarçado de criado de cozinha, é posteriormente descoberto e reconhecido como candidato legítimo a cavaleiro.

Em cada uma destas histórias, também há uma personagem cuja função é conduzir e testar o herói nas suas aventuras, colocando-lhe uma série de obstáculos. Quase sempre é uma figura feminina, dotada de poderes mágicos, e que propicia o reconhecimento final do jovem como um herói. Na história de Sir Gareth, por exemplo, essa figura é Lynette.

Podemos fazer uma correspondência entre esta figura feminina e a deusa. A sua função é guiar o herói e simultaneamente testá-lo. Deste modo, a Confraria da Távola Redonda deixa de ser uma simples ordem de cavalaria para ser um grupo de cavaleiros iniciados nos mistérios. Figuras como Morgana, Ragnall ou Lynette constituem uma parte essencial da tradição arturiana. São elas que desencadeiam os acontecimentos e que alteram para sempre o curso da vida dos neófitos. São elas que abrem a porta para o enigmático Outro Mundo...




Edmund Blair Leighton, The Accolade

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Sir Galahad - O Cavaleiro Puro


Galahad, O Puro, chega à corte de Artur e senta-se à mesa, no Assento Perigoso, que permanecera vazio. Completando o círculo dos Cavaleiros, a sua chegada despoletou a Demanda do Graal (Sir Galahad is brought to the Court of King Arthur, de Walter Crane).


O valoroso jovem Sir Galahad era filho de Sir Lancelot e de Elaine de Corbenek. Apesar de ser um filho ilegítimo, torna-se claro, desde o início que Galahad é imaculado. As doze freiras que o criaram disseram a seu pai que ele devia fazê-lo cavaleiro pois nenhum outro homem vivo seria mais digno da ordem da Cavalaria.

Sendo a Demanda do Graal a grande preocupação dos cavaleiros da Távola Redonda, um dos lugares à mesa - the Siege Perilous - ficava sempre vago, estando reservado ao cavaleiro que encontrasse o Cálice Sagrado. Até Sir Galahad tomar o lugar, nenhum outro cavaleiro conquistara o direito de o ocupar sem que instantaneamente a terra o engolisse. Assim que Galahad se sentou na Távola Redonda, sentiu-se em Camelot a presença do Graal.

Uma donzela misteriosa anunciou então que o Cálice Sagrado se apresentaria à mesa para alimentar todos os cavaleiros. Assim sucedeu, embora nenhum dos presentes no maravilhoso banquete tivesse visto ou tocado no Graal. Quando Sir Gawain jurou encontrar a morada do cálice para o ver com os seus próprios olhos, a maioria dos cavaleiros seguiu-lhe a demanda.


A demanda de Galahad é encorajada por anjos (Sir Galahad, de Arthur Hughes)


Embora tivessem partido por caminhos contrários, Galahad reuniu-se a Percival e a Bors quando encontrou o Graal. Tinham os três recebido o sacramento de José de Arimateia, há muito morto, que disse a Galahad para levar uma lança ensanguentada ao castelo do Rei Pescador e esfregá-la no corpo e membros estropiados do soberano. Depois de cumprir esta tarefa, curando o estranho rei, Galahad teve uma visão do Graal.

Galahad rezou para que lhe fosse concedido deixar o mundo e uma voz disse-lhe que a sua alma viveria na outra vida com Cristo logo que o seu desejo pudesse ser satisfeito. O puro e humilde cavaleiro segurou o Graal por uns instantes e depois, quando se ajoelhou para rezar pela sua morte, a alma desprendeu-se-lhe subitamente do corpo e foi levada aos céus por um grande séquito de anjos.


O Graal foi alcançado por três cavaleiros muito diferentes. Galahad, o mais puro, contemplou o seu conteúdo; Bors, o mais mundano, voltou para contar a história; Percival, o tolo ingénuo, tornou-se no seu guardião (A Meta, de Edward Burne-Jones, Tapeçaria, c. 1870)




Sir Gawain e o Cavaleiro Verde


Sir Gawain (em galês Gwalchmai) é muitas vezes descrito como sendo sobrinho de Arthur, filho de Morgause e do rei Lot de Orkney, irmão de Sir Gaheris e Sir Gareth. Era o cavaleiro mais cioso da corte de Artur, defendendo zelosamente as regras da cavalaria. O seu espírito vingativo fê-lo tornar-se inimigo de Sir Lancelot, depois de este ter morto acidentalmente os seus irmãos Gareth e Gaheris.

A aventura mais extraordinária de Sir Gawain envolve o Cavaleiro Verde.

Numa noite de fim de ano, quando o rei, a rainha e a corte estavam reunidos para um jantar, o gigantesco Cavaleiro Verde - assim chamado por tudo nele, desde a cor da pele, os trajos até o cavalo e os arreios serem verdes -  irrompeu no salão e desafiou os cavaleiros da Távola Redonda a um concurso de degolação. Pediu que algum cavaleiro ali presente lhe desse um golpe no pescoço com o machado que ele carregava e que, dali a um ano e a um dia, o oponente estivesse na Capela Verde para receber, por sua vez, o seu golpe.

Gawain aceitou o desafio e com um golpe de machado, decepou a cabeça do cavaleiro que rolou pelo chão, espalhando sangue na carne verde. A corte, tranquilizada, julgou que a prova acabara, mas para assombro geral, o gigante inclinou-se calmamente, apanhou a cabeça do chão e, segurando-a pelos cabelos verdes, montou no seu cavalo. Sentado na sela, apontou com a cabeça cortada para Sir Gawain dizendo-lhe que fosse dali a um ano e um dia à capela solitária para se sujeitar à machadada da desforra. Colocando a cabeça entre os ombros, partiu.



Um ano depois, para manter a palavra, Gawain partiu, sem saber onde encontrar a Capela Verde. Atravessou a floresta de Wirral onde defrontou perigosos trolls e os rigores do Inverno. Muito extenuado pelo frio e pela fadiga, chegou ao  castelo de Sir Bercilak de Hautdesert, anfitrião cordial e generoso, que o apresentou à sua bela mulher. Esta era acompanhada por uma velha de aspecto horrível. Bercilak disse-lhe que a Capela Verde ficava a poucas horas de cavalgada dali e que, entretanto, descansasse enquanto ele partia para uma caçada, combinando com ele que lhe daria o produto da sua caça se, em troca, Gawain lhe desse algo que tivesse recebido no castelo.

Durante a ausência do marido, a mulher de Bercilak tudo fez para seduzir o recto cavaleiro mas ele resistiu às suas investidas. Durante dois dias aceitou somente os beijos da dama que, à noite, transmitia a Sir Bercilak em troca da caça. Na terceira manhã, porém, a senhora ofereceu-lhe uma fita verde que o protegeria de qualquer ferimento. O medo da futura confrontação com o Cavaleiro Verde fez com que aceitasse. Como a aceitação do presente implicava o reconhecimento de amor do cavaleiro pela dama, Gawain escondeu o facto de seu anfitrião.

No encontro com o temível Cavaleiro Verde, este revelou ser o próprio Sir Bercilak, que havia sido enfeitiçado pela irmã de Arthur, Morgana - a velha  do castelo. Três vezes o machado se abateu sobre o pescoço de Gawain. Nas duas primeiras nada aconteceu pois ele não tinha abusado da hospitalidade do seu anfitrião, ao recusar deitar-se com sua mulher. À terceira, infligiu-lhe um golpe ligeiro pois o cavaleiro tinha aceitado a fita verde, no entanto, como só o fizera por delicadeza, não lhe cortou a cabeça.

Depois de trocarem muitas cortesias, Gawain retornou a Camelot, compreendendo que o zelo cortês não era a mesma coisa que a pureza moral. Desde então, usou sempre a fita verde para nunca se esquecer do seu lapso.

Gawain, um enérgico e incansável guerreiro, cedo perdeu o interesse pela Demanda do Graal. Embora fosse um dos primeiros a encetar a busca, inspirando os restantes cavaleiros, desanimou, faltando-lhe a disciplina, paciência e humildade necessárias. (O Fracasso de Sir Gawain, de Edward Burne-Jones, Tapeçaria, 1895-96)




domingo, 8 de agosto de 2010

Yvain e a Dama da Fonte

Yvain (ou Owain, na mitologia galesa) era um cavaleiro da Távola Redonda, filho de Urien. Quando um seu companheiro de armas chamado Cynon foi derrotado por um misterioso Cavaleiro Negro, Yvain partiu ao encontro do estranho.

Feriu gravemente o Cavaleiro Negro mas não o derrubou do cavalo, e quando o cavaleiro desatou a galope para um castelo próximo, Yvain seguiu-o e acabou por ficar à mercê do inimigo quando penetrou as muralhas. Foi salvo por uma mulher chamada Luned, que lhe deu um anel da invisibilidade.

O senhor do castelo, o Cavaleiro Negro, sucumbiu em pouco tempo à ferida infligida por Yvain. A sua viúva era Laudine, a Dama da Fonte. Era a Condessa do castelo e da floresta mágica que encerrava uma fonte  do Outro Mundo. Se alguém de lá retirasse água com um jarro de prata e a lançasse de encontro a uma grande laje de mámore  desencadearia uma repentina e intensa tempestade causando a destruição da floresta e do castelo.

Desse modo, era preciso que um valente guerreiro defendesse a fonte. Laudine tinha casado com Esclados o Vermelho (conhecido no Mabinogion como o Cavaleiro Negro). Quando este foi morto por Yvain, a sua dama de companhia, Luned, persuadiu-a a desposar o cavaleiro de Artur e assim assegurar a defesa da fonte mágica. Laudine e Yvain apaixonaram-se e, durante alguns anos, viveram felizes no Castelo da Fonte.


A Dama da Fonte, resplandecente visão dourada, apareceu ao jovem Yvain como a mais bela, sábia, nobre, casta e generosa de todas as mulheres. Mas, porque Yvain lhe matara o marido, o Cavaleiro Negro, tinha de se insinuar junto dela com delicadeza. A fiel aia da Dama, Luned, ajudou Yvain a seduzir a sua ama, sugerindo-lhe que o reino precisava de um forte protector. Aqui, Luned acompanha Yvain ao quarto da sua Dama. (Ilustração de Alan Lee, 1984)

No entanto, a longa ausência de Yvain muito preocupou o rei Artur, que enviou um grupo de cavaleiros à sua procura. Yvain regressou com eles à corte do rei não sem antes ser avisado pela Dama da Fonte para voltar dali a um ano ou nunca mais voltar. Deu-lhe um anel para selar a promessa e para não se esquecer dela. Mas Yvain faltou à palavra dada esquecendo-se gradualmente da esposa e do seu dever de proteger a fonte.

Quando uma dama, aia e mensageira da Dama, chegou à corte para reclamar o anel e acusá-lo de má-fé, traição e infidelidade, Yvain, cheio de remorsos e vergonha, ensandeceu e refugiou-se na floresta.

Yvain espreita pelos ramos emaranhados do bosque como uma criatura tímida e selvagem. Desgostoso de vergonha por ter ofendido a sua mulher, fugiu para a floresta onde viveu como um homem primitivo, definhando até ser salvo por uma nobre dama. (Ilustração de Alan Lee, 1984)

Após alguns anos, Yvain voltou a pegar nas armas, matou um dragão e tornou-se amigo de um leão. O leão e cavaleiro tiveram várias aventuras, e chegaram mesmo a salvar de Luned de uma morte certa, queimando e matando um gigante. Yvain retornou ao Castelo da Fonte e, com o auxílio de Luned, conseguiu reconciliar-se com a Dama da Fonte. 

Yvain, afeiçoando-se a um leão, ganhou um amigo fiel e um valente companheiro de armas. Num combate desigual com um gigante, o leão saltou em sua defesa. Quando o gigante reclamou que podia dar cabo de Yvain se não fosse pelo seu leão, Yvain arrastou o animal de estimação até à fortaleza, mas a impetuosa criatura saltou sobre as muralhas e atacou o gigante até à morte. (Ilustração de Alan Lee, 1984)

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Perceval le Gallois, de Eric Rohmer


Perceval le Gallois é um filme de Eric Rohmer, realizado em 1978. Inspirado no romance do século XII de  Chrétien de Troyes Perceval, A História do Graal, narra a ascensão de Perceval a cavaleiro e a sua integração na Távola Redonda. 

As personagens movem-se num espaço teatral, com adereços rudimentares e cenários estilizados, e, por vezes, narram os seus próprios pensamentos e acções em vez de os manifestarem. A acompanhá-las está um coro que participa no drama.

O diálogo, muitas vezes, é rimado, retirado directamente do texto medieval. A artificialidade deliberada impede o espectador de se envolver emocionalmente com a história deixando espaço para a reflexão sobre  a interpretação de Rohmer do texto de Chrétien de Troyes.


Perceval le Gallois, de Eric Rohmer, 1978

Fantasia de Parsifal


Fantasia - Walt Disney
Música - Parsifal de Richard Wagner

Sir Perceval


The Temptation of Sir Percival, de Arthur Hacker

Existem inúmeras versões sobre a origem de Perceval, também denominado Percival ou Parsifal. Na maioria das histórias ele é de origem nobre, sendo filho de Pelinore, cavaleiro valoroso e rei de Listenoise. Depois da morte de Pellinore, a mãe de Perceval criou-o numa floresta distante da corte de Camelot,a fim de impedir que o seu filho se tornasse cavaleiro. 

É assim que, até aos quinze anos, Perceval ignora como se comportam os homens. Um dia, ao brincar com dardos na floresta, o jovem Perceval encontra cinco cavaleiros com armaduras tão brilhantes que os toma por anjos. Depois adquire o desejo de se tornar cavaleiro e dirige-se à corte do Rei Artur. Embora desconheça completamente os modos corteses - o que lhe vale o epíteto "the Perfect Fool"- , revela-se um excelente guerreiro e é convidado a juntar-se aos Cavaleiros da Távola Redonda.

Nas tradições mais antigas, Perceval participa da busca do Santo Graal e torna-se no seu guardião. Mas nas histórias posteriores, é-lhe recusada a visão completa e a libertação celestial acaba por ser concedida a  Galahad, filho de Lancelot, o verdadeiro herói do Santo Graal. Só Galahad pôde tocar no Graal, "o corpo de Nosso Senhor entre as suas mãos", e depois morrer na companhia dos anjos.

Na versão de Chrétien de Troyes ele encontra o Rei Pescador ferido e tem um breve relance do Graal, mas com receio de parecer ignorante ou descortês, Perceval abstém-se de pôr a questão - "A quem serve o Graal ?" -  que iria trazer a cura do soberano e do reino.

Na manhã seguinte, Perceval acorda, passa por portas fechadas que não se abrem quando lhes bate, grita para chamr a atenção e não obtém resposta. Quando sai do castelo do Graal, o próprio castelo desaparece. Perceval descobre que está perdido numa floresta por onde vagueia vários anos, esforçando-se por voltar ao Castelo do Graal e terminar a sua demanda.

Uma outra versão dá conta de que na sua demanda pessoal pelo Graal, Percival não conseguiu manter a conduta irrepreensível exigida para recuperar o Graal. Em viagem, encontrou, um dia, um barco maravilhoso e misterioso e de imediato se apaixonou pela sua bela proprietária. Estava quase a partilhar o seu leito, quando viu a sua espada desembainhada no chão, e no punho uma cruz vermelha, sinal da crucificação que lhe recordou o dever de um cavaleiro. Assim, persignou-se e logo o barco se ergueu, transformando-se numa nuvem de fumo negro. Perturbado e desgostoso com o seu lapso moral, infligiu um castigo a si próprio, ferindo-se na coxa.  

Nas tradições mais antigas, a amada de Perceval é Floribranca e ele  torna-se no  rei de Corbenic depois de ter curado o Rei Pescador. Já em versões posteriores, ele mantém-se virgem e morre depois de ter encontrado o Graal.

Mesmo que o seu papel tenha diminuído com o protagonismo de Galahad na Demanda, Perceval mantém-se como uma importante personagem e é um dos dois cavaleiros (juntamente com Boors) que acompanha Galahad ao Castelo do Graal, terminando com ele a sua demanda.


The Legend of Sir Percival, de Frank Cadogan Cowper, 1952-53


domingo, 18 de julho de 2010

Lancelot du Lac, de Robert Bresson

Lancelot du Lac é um filme de 1974 escrito e realizado por Robert Bresson. Relata a história de amor entre Lancelot e Guinevere e a queda de Camelot e da Távola Redonda.

O elenco é composto por actores amadores que são dirigidos por Bresson no sentido de uma intencional falta de emoção na representação, com a eliminação dos elementos fantásticos da tradição arturiana.

O filme ganhou o prémio FIPRESCI no festival de Cannes de 1974.

sábado, 17 de julho de 2010

Lancelot

Blow, weary wind,
The golden rod scarce chiding;
Sir Launcelot is riding
By shady wood-paths pleasant
To fields of yellow corn.
He starts a whirring pheasant,
And clearly winds his horn.
The Queen's Tower gleams mid distant hills;
A thought like joyous sunshine thrills,
"My love grows kind."

Launcelot by Sinclair Lewis

As origens literárias de Lancelot são vagas. Presume-se que derive de um herói chamado Llwch Lleminiawg, que aparece no Mabinogion e no poema galês Preiddeu Annwn. Além destas referências escassas, nada mais é conhecido dele até reaparecer num poema suíço do século XII intitulado Lanzalet, embora aqui ainda não assumisse o seu famoso papel como amante de Guinevere.

De acordo com Thomas Malory,em Le Morte D'Arthur, Lancelot era filho do rei Ban de Benwick e da sua rainha, Elaine. O rei Ban envolveu-se numa guerra com o rei vizinho Claudus e foi derrotado por este. Rei e rainha tiveram de fugir. Durante a fuga, Ban olhou para trás e ao avistar o seu castelo em chamas sucumbiu. Correndo em sua ajuda, Elaine deixou o filho, então com o nome de Galahad, junto a um lago. A Dama do Lago raptou a criança e criou-a nas suas águas mágicas.

A criança, agora com o nome de Lancelot du Lac, cresceu na companhia de mulheres e das fadas do palácio  da Dama do Lago. Depressa revelou grande aptidão para as armas. Aos dezoito anos, reuniu-se com os seus primos, Bors e Lional, e o seu meio-irmão, Ector, e, juntos, dirigiram-se para Camelot. Em memória do apoio prestado pelo rei Ban durante a sua juventude, Artur favoreceu Lancelot armando-o cavaleiro no dia de S.João.

Lancelot, o mais belo e dotado dos cavaleiros de Artur, atraía as rainhas mortais e imortais. Aqui vemos quatro rainhas das fadas raptando o cavaleiro adormecido para o levarem para o seu castelo, exigindo-lhe que escolhesse de entre elas qual seria a sua amante. (The Four Queens Find Lancelot Sleeping, de Frank Cowper, 1954)

Nalgumas versões da lenda, uma das primeiras missões de Lancelot foi escoltar a noiva de Artur, Guinevere, filha do rei Leodegraunce, a Camelot, para a cerimónia do casamento. Foi nesta ocasião que os dois se apaixonaram. Noutros textos, Guinevere já estava estabelecida como rainha quando Lancelot chegou à corte arturiana e depressa se tornou um dos cavaleiros da rainha, uma espécie de sub-ordem da Távola Redonda frequentada pelos jovens aspirantes a cavaleiros, antes de provarem plenamente o seu valor.

Lancelot iniciou então uma série de aventuras que o estabeleceram, sem margem para dúvidas, como o melhor cavaleiro do seu tempo. Entre outros feitos, conquistou um castelo chamado Dolorous Guard, que depois passou a ser a sua casa, mudando-lhe o nome para Joyous Guard. No cemitério assombrado deste castelo, Lancelot conseguiu descerrar a tampa de um túmulo que mais ninguém conseguia para nele encontrar escrito o seu verdadeiro nome e linhagem e uma profecia relativa ao seu futuro filho cujo nome também será Galahad.

Ao regressar a Camelot, Lancelot tornou-se um cavaleiro da Távola Redonda. Auxiliou Artur a acabar com a rebelião do Príncipe Galehaut, que se rendeu depois de reconhecer a honradez e a nobreza de carácter de Lancelot. Galehaut tornou.se depois um amigo chegado de Lancelot agindo até como intermediário entre o cavaleiro e a sua amada rainha.

No episódio da Falsa Guinevere, foi no castelo de Galehaut que Lancelot e a verdadeira rainha se refugiaram. Depois da descoberta e consequente morte da Falsa, Lancelot retornou com a rainha mas os dois  já estavam irremediavelmente apaixonados. A vida do cavaleiro tornou-se assim numa luta permanente com a sua própria consciência levando-o em demanda atrás de demanda no intuito de se afastar da corte e da rainha.

Guinevere e Lancelot beijam-se no seu primeiro encontro, proporcionado por Galehaut. (Iluminura, c.1400)

Numa dessas aventuras, Lancelot salvou uma donzela de um banho de águas ferventes, criadas por um encantamento. Ela era Elaine de Corbenic, filha do rei Pelles, o Guardião do Graal. Através da magia, Lancelot dormiu com Elaine, pensando estar com Guinevere, e foi assim que Galahad foi concebido. Foi sugerido por Pamela Lyndon Travers (escritora australiana, criadora de Mary Poppins) que Lancelot teria feito um voto de celibato por não poder amar livremente Guinevere. O reconhecimento de que não só tinha traído a sua amada como tinha quebrado o voto levou-o à loucura.

Acabou por ser descoberto por Elaine de Astolat a vaguear nu e faminto na floresta. A jovem ajudou-o a recuperar-se e apaixonou-se irremediavelmente por ele. Porém, o seu amor nunca foi correspondido e Elaine acabou por morrer de desgosto.

Lancelot e Elaine de Astolat - o cavaleiro aceitou ser o seu campeão em batalha e deu-lhe o seu escudo. A donzela apaixonou-se por ele mas Lancelot não lhe retribuiu a afeição e ela morreu de desgosto amoroso. (Lancelot e Elaine, de Eleanor Fortescue-Bricksdale)
Aquando da Demanda do Santo Graal, Lancelot e Galahad, pai e filho, estabeleceram uma intensa mas breve relação, pois Galahad morreu após encontrar o Cálice Sagrado. Lancelot também teve algumas visões do Graal e conseguiu chegar à Capela onde este estava guardado mas a sua entrada foi impedida por um anjo e o cavaleiro caiu num transe que durou várias semanas. 

Foi perfeitamente claro para Lancelot que o seu fracasso se deveu inteiramente ao seu amor adúltero por Guinevere, que excedia o seu amor a Deus, e, por uns tempos, decidiu renunciar a esse amor. No entanto, quando regressou a Camelot, a relação foi retomada e, deste modo, selado o fim inevitável do sonho arturiano.

Lancelot, depois de muito jejuar e rezar, chegou enfim a Carbonek, o Castelo do Graal. Poluído pelo pecado, não pôde entrar mas foi-lhe concedida uma visão do cálice. Tendo-se aproximado demasiado, foi acossado pelas chamas e caiu num torpor que durou 24 dias. (The Dream of Lancelot at the Chapel of The Holy Grail, E. Burne-Jones)

Por esse tempo, muitos dos cavaleiros mais velhos estavam mortos ou perdidos, e um novo contingente surgiu onde se destacou Mordred, filho ilegítimo de Artur, que começou a planear a destruição da Confraria. Surpreendendo Lancelot e Guinevere nos aposentos da rainha, logo que agora estes tinham decidido terminar a sua ligação para o bem do reino, Mordred forçou Artur a tomar uma posição e a condenar a sua rainha à fogueira. Lancelot salvou-a, mas matou acidentalmente Gareth e Gaheris, irmãos de Gawain, e Agravain.

Iniciou-se assim uma guerra no seio da Távola Redonda que culminou na morte de Gawain e na notícia de que Mordred, na ausência de Artur, que persegue Lancelot em França, se apoderou do trono. Artur regressou e defrontou o seu filho numa batalha final resultando daí a morte de ambos. Lancelot chegou tarde demais para ajudar o seu velho amigo.

Depois da guerra, visitou, pela última vez, Guinevere, agora no convento de Amesbury, abandonou as suas armas e adoptou a vida de um eremita. Assim viveu até ao fim dos seus dias. Guinevere morreu e foi sepultada junto de Artur, e, não muito tempo depois, morre também Lancelot sendo sepultado em Joyous Guard.

Assim termina a história do mais ilustre de todos os cavaleiros da Távola Redonda e, talvez, do mais trágico. Lancelot ficou dividido entre o amor e o dever e, na sua luta interior para manter ambos, pereceu arrastando com ele o reino de Artur. O seu fracasso na Demanda do Graal é uma das histórias mais dolorosas  de todo o ciclo. Tão grande era o seu coração que quase que alcançou o Cálice. No entanto, não era íntegro o suficiente e o seu fracasso tornou-se maior na medida em que quase era sucesso.

O seu amor por Guinevere prova ser superior ao seu amor por Deus, mas, à sua maneira, é um amor puro. Ao longo de todos os anos da sua devoção à rainha, Lancelot nunca olhou para outra (excepção feita a Elaine de Corbenic que o ludibriou). Quando urgia salvá-la de Meleagraunce, conduziu, quase sem hesitação, uma carroça - veículo reservado, naqueles tempos, para criminosos, mortos, ou transporte de adubo - mesmo assim, não se livrou da censura de Guinevere por ter hesitado, ainda que por breves momentos. Contudo, nesta e outras ocasiões em que a rainha põe em dúvida a sua lealdade, Lancelot permanece firme no seu amor.

Estas características tão humanas fazem de Lancelot uma das mais inesquecíveis personagens do ciclo arturiano, e de quem muito pode ser aprendido por aqueles que procuram entender a importância da sabedoria de Avalon.


Lancelot, "the ill-made knight", nos aposentos da rainha Guinevere. A sua relação amorosa destruiu o reino de Artur e impediu Lancelot de alcançar o Graal. (Lancelot and the Queen, de Dante Gabriel Rossetti)


Referência bibliográfica:

MATHEWS, John, The Arthurian Tradition, Element Books, Limited, 1994


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