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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A Dança dos Gigantes

por Daniel Bower

Salisbury Plain, no sul de Inglaterra, alberga vários monumentos pré-históricos como Woodhenge, Durrington Walls e, o mais famoso, Stonehenge. A sua construção ocorreu em etapas que se prolongaram durante séculos         (desde 3100 a 2800 AC, aproximadamente). Os povos neolíticos do período eram agricultores com um pequeno número de animais domesticados. Por volta de 2500 AC, chegaram pequenos grupos, chamados de Beaker People (por causa da sua cerâmica), que aí se estabeleceram  e miscigenaram com os nativos. Os esforços dessa comunidade contribuiram para a grandeza de Stonehenge - construções e remodelações prolongaram-se até cerca de 1100 AC.

Ao longo dos séculos, quando as suas origens já há muito haviam sido esquecidas, muitas lendas e histórias surgiram sobre este particular círculo de pedras. Alguns sustentam que Stonehenge é o "umbigo" da Grã-Bretanha, o centro a partir do qual se espalhou a criação e onde as energias do céu, da terra e do submundo se unem. Daqui corre o fio da vida, percorrendo toda a Árvore do Mundo, desde as alturas até às profundidades das raízes subterrâneas.

por Daniel Bower

A presença de Stonehenge representará assim a chegada a um ponto do desenvolvimento pessoal em que energias, previamente fragmentadas, se unem, trazendo assim um sentido de completude e uma nova abordagem da vida. O círculo de pedras lembra-nos a natureza circular da vida. A carta do Universo marca o fim dos Arcanos Maiores, mas também a conclusão de um ciclo e a esperança e nova vitalidade anunciadas pela carta do Louco. O mistério de Stonehenge ecoa o mistério da carta do Universo pois contém o elemento do desconhecido.

Quase como seria de esperar, Merlim é associado a Stonehenge. O círculo de pedras teria sido usado pelo grande mago para o estudo das estrelas. Geoffrey de Monmouth, nas suas crónicas, chega a atribuir-lhe a responsabilidade pela construção do templo. 

Segundo a lenda, o rei Vortigern e o seu conselho foram convidados por Hengist, o líder dos Saxões, para discutirem a paz, mas foram mortos à traição pelos guerreiros saxões. Os quatrocentos e sessenta nobres foram depois enterrados numa vala comum em Salisbury Plain.


Anos depois, Ambrosius, depois de conseguir o restauro relativo da paz em todo o reino, decidiu que as vítimas da traição mereciam uma homenagem por meio de um monumento e pediu ajuda a Merlim. Este disse-lhe que se queria um monumento eterno, deveria ordenar a transferência para Salisbury Plain do Anel dos Gigantes - um anel megalítico de pedras erigido no Monte Killarus, na Irlanda. As pedras tinham poderes curativos e Ambrosius concordou, enviando para a Irlanda Merlim, Uther e os seus homens a fim de realizarem todo o processo. E foi graças às artes extraordinárias de Merlim que tamanha empresa foi bem sucedida. 

Uma vez em Salisbury Plain, Merlim ergue de novo as pedras e Ambrosius condecorou o mago pela sua façanha extraordinária. Ainda hoje, os gigantes dançam em Salisbury Plain.


sábado, 25 de junho de 2011

Lleu


Lleu, "O da Mão Habilidosa", era uma divindade solar, mestre de muitos talentos - carpinteiro, poeta, músico, curandeiro e mágico. Ligado à fertilidade da terra, Lleu presidia ao casamento sagrado entre a terra e o rei. O festival de Lleu é conhecido como Lughnasa e ocorre no primeiro dia de Agosto. Nesta celebração ocorriam corridas de cavalos, jogos e danças.

Lleu era filho de Arianrhod. A sua mãe lançara-lhe uma série de maldições, incluindo a promessa de que não teria um nome se ela não lhe pusesse nenhum, não pegaria em armas se não fosse por ela investido e nunca casaria com uma mulher da raça humana. Com a ajuda do tio Gwydion, que o criou, Lleu venceu todas as interdições, embora a mulher invocada por seu tio e pelo mago Math quase o tivesse votado à desgraça.


Blodeuwedd (cujo nome significa "nascida das flores" ou "rosto de flor") era uma bela mulher encantada. Foi conjurada por Math e Gwydion para que desabrochasse dos botões em flor dos carvalhos, da giesta e da ulmeira, e desposasse Lleu. 

Por uns tempos, o jovem casal foi feliz, mas um dia Lleu foi visitar Math e, na sua ausência, Blodeuwedd ofereceu a sua amável hospitalidade a um caçador que seguia de passagem, Garonwy, o senhor de Pennlyn. Os dois apaixonaram-se e começaram a congeminar o assassínio de Lleu, uma empresa difícil já que Lleu só podia ser morto se tivesse um pé apoiado no dorso de uma cabra e o outro na beira de um caldeirão que tivesse sido usado como banheira, e só uma lança cuja confecção tivesse durado um ano inteiro poderia trespassá-lo.


Embora os dois amantes tivessem conseguido reunir todas as condições para o atacar, ele não morreu, conseguindo desaparecer no céu sob a forma de uma águia. Depois de ter recuperado dos ferimentos e de Gwydion o ter restituído à forma humana, Lleu voltou para se vingar. Ele e o tio perseguiram Garonwy que se escondeu atrás de uma rocha. Foi em vão pois a lança de Lleu perfurou a pedra e matou-o. Por sua vez, Gwydion transformou Blodeuwedd numa coruja, a ave que só mostra a sua face à noite.


quarta-feira, 8 de junho de 2011

O dragão de fogo


Nos tempos turbulentos que antecederam o reinado de Artur, a terra era governada (de acordo com as crónicas de Geoffrey de Monmouth) por Constantino. Após a sua morte às mãos de um Picto, Vortigern usurpou o trono  da seguinte forma: Constantino tinha três filhos, sendo o mais velho um monge chamado Constans. Vortigern encorajou Constans a deixar o mosteiro e assumir o poder, mas pouco tempo depois também ele foi assassinado. E assim Vortigern ocupou o trono.

Os guardiões dos dois filhos mais novos de Constantino, a fim de salvar a vida das crianças, levaram-nos então para longe da ambição perigosa de Vortigern. Os dois rapazes constituíam assim a esperança da Bretanha - Aurélio Ambrósio e Uther, este último o futuro pai de Artur.


Enquanto os rapazes cresciam e aprendiam as artes da guerra, as políticas de Vortigern conduziram o reino à desgraça. Os mercenários Saxões que tinham sido contratados para defender a terra de invasores, tornaram-se também eles numa ameaça. Apesar disto, Vortigern, enlouquecido de desejo, entregou ao líder dos Saxões, Hengist, a terra de Kent em troca da sua bela filha Rowena. O povo revoltou-se por ter agora uma rainha Saxã.

Devido ao tumulto, Vortigern procurou refúgio em Gales (ver a fortaleza de Vortigern). Por estas alturas, dá-se o regresso triunfante de Ambrósio e Uther. Conduziram o seu exército até Gales e sitiaram Vortigern. A sua fortaleza foi incendiada na batalha e as chamas puseram fim à sua tirania. Os irmãos viraram depois a sua atenção para os Saxões e capturaram Hengist, que foi depois condenado à morte pelo assassínio de vários nobres Bretões.

E assim a Bretanha iniciou uma lenta recuperação, governada pelo sábio Ambrósio. No entanto, quando este morreu envenenado, o povo, ainda marcado pelo sofrimento, temeu o pior. Foi neste tempo de precariedade que um faiscante cometa atravessou os céus. A sua forma assemelhava-se a um dragão e Merlin anunciou que era um bom auspício para Uther Pendragon ("Cabeça do Dragão"), e para o seu futuro herdeiro, que traria a união e a paz à terra. 

sábado, 14 de maio de 2011

A Fortaleza de Vortigern


Uma das histórias que integram o Mabinogion conta-nos que, muitos, muitos anos antes do tempo de Artur, o rei da Bretanha era um homem chamado Lludd. Era um grande guerreiro, generoso e amável e a Bretanha era próspera; no entanto, uma praga assolava o reino. Na primeira noite de Maio, ouvia-se sempre um terrível grito que ecoava por toda a terra. O som era tão arrepiante que quem o ouvia perdia o senso e despia a terra dos seus frutos.

Llefelys, irmão de Lludd, disse ao rei que a única maneira de libertar o povo deste horror, era descobrir o centro da terra, e lá encontrar dois dragões em luta - a fonte do clamor. Depois de subjugados e adormecidos com o melhor hidromel, os dragões deveriam ser transportados e enterrados nas profundezas da terra mais segura. Lludd assim fez e sepultou os dragões adormecidos na Snowdonia, num lugar que passou a ser conhecido como Dinas Emrys. E assim a terra ficou em paz.

Porém, quinhentos anos passaram e o povo voltou a viver aterrorizado. Vortigern, o usurpador, ocupava o trono e tinha contratado mercenários saxões para o ajudarem a repelir os invasores do Norte. Só que os Saxões passaram também a cobiçar a terra e assim a Bretanha ganhou mais um inimigo. Vortigern, refugiado no País de Gales, reuniu o seu conselho de magos e preparou-se para construir uma fortaleza num local considerado seguro -  Dinas Emrys.


O trabalho de construção dos homens de Vortigern provou ser em vão, pois, a cada manhã, encontravam em ruínas as obras feitas na véspera. Vortigern, perplexo, consultou os seus magos. Estes aconselharam-no a sacrificar um rapaz orfão de pai e a espalhar o seu sangue nas fundações. Só assim a fortaleza se erigiria.

Um rapaz nas condições assim exigidas foi encontrado e ele e sua mãe foram trazidos à presença do rei, em Dinas Emrys. O seu nome era Ambrosius (ou Merlin, na versão de Geoffrey de Monmouth). Pressentindo a natureza dos planos de Vortigern, o jovem Ambrosius / Merlin ousou confrontar os druidas e perguntou-lhes se sabiam a razão da destruição nocturna.

Ao confessarem a sua ignorância, Merlin encarou Vortigern e disse-lhe que se escavasse o sítio da construção, encontraria um curso de água a minar a sua fortaleza. Lá também estariam dois dragões, um vermelho, o outro branco. Os homens do rei assim fizeram e assim que os dragões se viram libertos, começaram a lutar.


Merlin disse que a destruição da fortaleza se devia às batalhas nocturnas das duas criaturas e que o dragão vermelho representava os Bretões  e o branco os Saxões. A multidão olhou para a batalha simbólica vendo, horrorizada, o dragão branco dominar o vermelho. O rapaz profetizou que os rios se tornariam vermelhos de sangue antes que a Bretanha conseguisse deter a invasão Saxã. Não seria Vortigern a conduzir os Bretões à vitória. A sua vida seria tomada pelos Saxões, por Aurelius Ambrosius ou por Uther - os seus inimigos eram muitos e o seu fim estaria próximo.

quarta-feira, 9 de março de 2011

O Caldeirão de Annwn



Annwn era o Outro Mundo dos galeses, uma terra idílica de paz e abundância, animada com o canto dos pássaros. Em Annwn havia uma fonte de vinho doce e um caldeirão mágico. Este caldeirão,  guardado por nove donzelas, curava os doentes e devolvia os mortos à vida. O soberano de Annwn era Arawn das vestes cinzentas. Arawn tinha uma matilha de cães de fila, "os cães do inferno" celtas que voavam durante a noite perseguindo as almas humanas.

Segundo a tradição galesa, o jovem e impetuoso Artur perdeu a maioria dos seus guerreiros numa tentativa defraudada para roubar o caldeirão mágico.  Esta demanda é contada num poema - "The Spoils of Annwfn"- sendo considerado por muitos como um modelo para a história da Demanda do Santo Graal.

O bardo Taliesin acompanhava relutantemente Artur e os seus guerreiros pois estava bem ciente dos perigos de entrar sem permissão no Outro Mundo. E, apesar dos seus avisos, o jovem rei prosseguiu na sua louca aventura.

Antes de chegarem ao Castelo do Caldeirão, os homens passaram sete fortalezas envoltas numa luz misteriosa e crepuscular. Eram aguardados pelos Sempre Jovens. Não se sabe ao certo o que aconteceu. Os eventos exactos são misteriosos como a terra onde estavam. Só se sabe que foi uma batalha terrível e que seria a primeira e última vez que Artur combateria o povo de Fay.

Artur conseguiu chegar junto do caldeirão mas foi capturado e atirado para a prisão dos Estranhos Muito Estranhos. Era uma prisão feita de ossos dos mortais e onde outros três humanos de sangue real pereciam eternamente por terem ofendido os Fay. Artur ali esteve três dias e três noites, em grande agonia, até ser salvo por Bedivere e Llwch Lleminawc. Muito combalido, Artur não falou durante um dia e uma noite e depois só chorava.

Apesar de terem sucedido no roubo do caldeirão, dificilmente se sentiam vitoriosos pois dos três navios que tinham partido, só sete homens regressaram. O rei acabou por recuperar o juízo mas proibiu terminantemente que se falasse do ataque a Annwn. 

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Gwyn ab Nudd e a Caçada Selvagem



Gwyn, filho de Nudd, é o Caçador Selvagem, Deus dos Mortos. Caçador e guerreiro, ele é o Senhor do Submundo. Avistar-se a Caçada Selvagem nos céus, formada pelas nuvens da tempestade, é sinal de morte iminente pois é Gwyn que recolhe as almas dos mortos.

A sua companhia fantasmagórica era composta por homens caídos em batalha e acompanhada por mastins de orelhas vermelhas (cwn Wyhir). Os cavaleiros da Caçada Selvagem estavam encarregues de proteger os mortos. Com cascos ribombantes e trompas ensurdecedoras afastavam o mal.

Glastonbury era onde Gwyn e o seu exército de espectros tomavam refúgio. Dizia-se que através do Tor se acedia ao Outro Mundo.



De acordo com a Crónica Anglo-Saxã, Artur acompanhou Gwyn na sua Caçada Selvagem. Também na história de Creiddylad cruzam caminhos. Gwyn apaixonou-se por Creiddylad mas esta está prometida a Gwythr, filho de Grweidawl. Desesperado, Gwyn rapta a bela Creiddylad. Artur vai no seu encalço e monta cerco à sua fortaleza. Acaba por ser acordado que Gwyn e Gwythr lutarão pela mão de Creiddylad. A batalha tomará lugar no primeiro de Maio e repetir-se-á até ao final dos tempos, sugerindo a luta anual entre o Inverno e o Verão pela posse da terra.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Lutey e a Sereia



Há muito tempo, os pescadores da Cornualha costumavam vasculhar os restos de navios afundados lançados à praia em busca de objetos de valor. Um dia, Lutey de Cury achou uma adorável sereia encalhada numa das muitas poças entre as rochas formadas pela maré alta. Era uma criatura muito bonita e facilmente convenceu Lutey a levá-la para o oceano na maré baixa. Aninhada no seu colo, ela ofereceu-lhe três desejos por sua gentileza e ele, que era um homem bom, escolheu primeiro ter o poder para quebrar feitiços, segundo, ter o poder para obrigar os familiares da bruxa a praticarem o bem para os outros e, terceiro, que esses dois poderes fossem concedidos aos seus descendentes.

A sereia concedeu esses desejos com alegria e, por ele ter escolhido sabiamente e sem egoísmo,  acrescentou mais dois dons - primeiro, que nenhuma sereia jamais o quisesse, e segundo, seu pente mágico, para que ele a chamasse sempre que precisasse. Ele agradeceu-lhe muito e levando-a sem muito esforço, caminhou na direcção do mar,

Lutey era um homem bonito e forte. Na verdade, a sereia era uma criatura muito bela, os seus cabelos sedosos, claros como uma cascata de prata, olhos verdes grandes e uma voz cristalina de muita doçura. Quando eles finalmente chegaram à beira da água , ela pediu a Lutey que entrasse um pouco mais com ela na água. A sereia segurava-o com força pelo pescoço. Ele baixou-se para colocá-la na água. A sua voz era tão macia e o movimento de seu corpo tão suave nos seus braços que Lutey entrou sem medo no mar e ter-se-ia se perdido para sempre se o seu cão não tivesse latido freneticamente da praia, fazendo-o lembrar-se da sua esposa e filhos queridos. Mas a sereia segurava-o com mais força e tê-lo-ia arrastado para o fundo do mar se ele não tivesse desembainhado a sua faca e a ameaçado.

A faca era de ferro, um metal repulsivo ao povo do mar, e ela fugiu para o oceano, falando enquanto ia:
"Adeus! Adeus!
Cuida-te bem, meu amor!
Nove longos anos, por ti esperei
Leva-me no teu coração, meu amor
E então voltarei!"

Todos os desejos de Lutey tornaram-se reais, a sua família e os seus descendentes tornaram-se curandeiros ilustres. Mas a promessa da sereia também se tornou real, pois, após nove anos, a contar do dia em que Lutey se livrou dela, ela voltou. Ele estava a pescar com um dos seus filhos, quando ela surgiu da água, agitou os cabelos sedosos e acenou. Lutey virou-se para o filho e disse: "Está na hora. Devo pagar a minha dívida". Não parecia nem um pouco infeliz quando mergulhou nas profundezas verdes com a sua amada de voz suave. Dizem também que, desde então, a cada nove anos, um Lutey de Cury se perde no mar. Mas ninguém sabe se eles partem tão felizes quanto o primeiro Lutey.


quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O Sonho de Artur


Mordred reuniu um exército contra seu pai, o rei Artur. Na véspera da sua derradeira batalha, Artur teve um sonho terrível.

Encontrava-se perdido num bosque cheio de feras. Estas banqueteavam-se com os corpos dos seus cavaleiros mortos. Aterrorizado com a visão, Artur correu até uma clareira. Encontrou um prado sereno onde pastavam rebanhos e vinhas de prata vergavam-se com o peso dos cachos.

Uma bela mulher, vestida com sedas bordadas e fitas de ouro, surgiu entre as nuvens. Tinha na sua mão uma roda que girava ocasionalmente. Atada a esta roda estava uma cadeira e, por baixo, estavam dois reis, tentando segurar-se desesperadamente à sua borda. O homem mais próximo da cadeira envergava um manto de prata, bordado com cruzes de ouro e o outro vestia um manto azul decorado com flores de lis.

A Fortuna agarrou em Artur e sentou-o na cadeira. Alimentou-o com uma grande variedade de frutos e vinhos, pedindo-lhe que bebesse em sua honra. Mostrou-lhe muito afecto, mas à medida que o tempo passava, foi adquirindo uma expressão ameaçadora. Artur apercebeu-se de águas profundas a seus pés, infestadas de assustadoras serpentes.

Proferindo as palavras "Perderás este jogo", a Fortuna girou subitamente a sua roda. Com a queda, Artur caiu esmagado pela roda e à mercê das serpentes monstruosas.

Artur acordou em pânico, mas rapidamente caiu num estado semiconsciente. Neste meio sono, apareceu-lhe o fantasma de Gawain que o preveniu de que se lutasse no dia seguinte, morreria.