a onda anda
aonde anda
a onda?
a onda ainda
ainda onda
aonde?
aonde?
a onda a onda
Manuel Bandeira, Poesia Completa e Prosa
segunda-feira, 2 de abril de 2012
sexta-feira, 30 de março de 2012
Canção
Pus o Meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar.
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre dos meus dedos
colore as areias desertas.
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito:
praia lisa, águas ordenadas;
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.
Cecília Meireles, Obra Poética
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar.
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre dos meus dedos
colore as areias desertas.
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito:
praia lisa, águas ordenadas;
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.
Cecília Meireles, Obra Poética
Artuhr Rackman
sábado, 3 de março de 2012
Praia do Encontro
Esta imaginação de sal e duna,
inquieta e movediça como areia,
ergue, isolada, a praia, mais a espuma
que sereia nenhuma
saboreia...
Quisesses tomar tu este veleiro,
que em secreto estaleiro construí,
sem velas, sem cordame, sem madeira,
- mas branco!, e todo inteiro
para ti...
Brilha uma luz de morte sobre o porto
saído mesmo agora da memória...
Ali estarei, à tua espera, morto,
ou vivo em minha morte
transitória...
Combinado. Que eu juro não faltar!
Contrário de Tristão, renascerei,
se pressentir, aérea, sobre o Mar,
a sombra singular
do barco que te dei.
David Mourão-Ferreira, Obra Poética, Lisboa, Bertrand, 1980
inquieta e movediça como areia,
ergue, isolada, a praia, mais a espuma
que sereia nenhuma
saboreia...
Quisesses tomar tu este veleiro,
que em secreto estaleiro construí,
sem velas, sem cordame, sem madeira,
- mas branco!, e todo inteiro
para ti...
Brilha uma luz de morte sobre o porto
saído mesmo agora da memória...
Ali estarei, à tua espera, morto,
ou vivo em minha morte
transitória...
Combinado. Que eu juro não faltar!
Contrário de Tristão, renascerei,
se pressentir, aérea, sobre o Mar,
a sombra singular
do barco que te dei.
David Mourão-Ferreira, Obra Poética, Lisboa, Bertrand, 1980
Alexandre Séon (1855-1917), Lamentos de Orfeu, 1896
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Descobrir o Tarot com as lendas arturianas: Rainha de Bastões
The Arthurian Tarot, Anna-Marie Ferguson
Dindraine era a filha do rei Pellinore e irmã de Parsifal (ou Perceval). Era também a sábia e virtuosa guia dos Três Eleitos (os que alcançaram o Graal) - Galahad, Parsifal e Bors.
Dindraine reuniu os três cavaleiros após as suas muitas aventuras e tentações e conduziu-os a uma embarcação que os aguardava. Assim que entraram a bordo, um vento misterioso levou-os até a um segundo barco onde encontraram uma espada mágica. Dindraine contou-lhes a história desta espada e do "Golpe Doloroso"... mas isso fica para descobrir com outras cartas do Tarot...
Galahad foi o escolhido para ficar com a espada, mas como o cinto não suportava o peso da arma sagrada, Dindraine cortou o seu cabelo e, juntamente com fios de ouro e seda, teceu uma nova bainha.
Após regressarem a terra, novas aventuras se sucederam e Dindraine morreu após sacrificar o seu sangue para salvar uma mulher doente. Os cavaleiros, desgostosos, depositaram o seu corpo num barco coberto de seda negra e lançaram-no ao mar.
Significado da Carta: uma mulher de grande força espiritual e compreensão. Sensível ao bem-estar dos outros e encorajadora das aspirações. Uma mulher digna, charmosa e conhecedora, representa o pensamento independente, a força de convicção e o amor pela natureza. Generosidade, coragem, liderança e aprendizagem.
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